Embora as dietas sejam, de forma geral, baseadas em restrição alimentar, alguns aspectos podem possuir diferentes abordagens ou interpretações. Por exemplo, algumas dietas podem denominar o chamado Dia Livre com o Dia Feliz ou com o Dia do Lixo. Essas denominações são usadas pelos profissionais nas suas orientações, e podem causar alguma confusão na cabeça das pessoas. Como pode dois conceitos tão paradoxais representarem a mesma coisa? Isso deu um nó na cabeça da Aninha. Vamos ver a história dela com a dieta, o dia feliz e o dia do lixo.

A dieta e o dia do lixo

Aninha foi numa nutri, e ela disse à Aninha que ela teria o dia do lixo no final de semana. Aninha perguntou: “o que é o dia do lixo?” A nutri respondeu: “é aquele dia que você define com antecedência para comer tudo o que você gosta. Ou seja, para comer livremente tudo aquilo que não é saudável.”

Aninha entendeu que tudo o que ela adorava e que era dito como não saudável era lixo e que, portanto, ela deveria comer apenas no dia do lixo. Ela esperava ansiosamente por esse dia e, por isso, comia exageradamente. Depois, sentia-se muito culpada porque, além de ter tido um dia de descontrole, passou o dia comendo o que era considerado lixo.

A dieta e o dia feliz

Tempos depois ela foi em outra nutri que a disse: “uma vez por semana você terá o seu dia feliz, ele olha que legal, ele pode ser final de semana”. Aninha perguntou: “o que vem a ser o meu dia feliz?” A nutri respondeu: “é aquele dia que você planeja com antecedência para comer tudo o que você gosta. Ou seja, para comer livremente tudo aquilo que não é saudável.

Aninha entendeu que tudo o que ela gostava de comer, apesar de não ser saudável, fazia parte do dia feliz, e que apenas um dia da semana dela seria feliz, e os demais seriam tristes e sem sabor. Ela esperava ansiosamente por esse dia e, por isso, comia exageradamente. Depois, embora se sentisse feliz, sentia-se muito culpada por ter tido um dia de descontrole.

O resultado

Alguma coisa não fazia sentido para a Aninha nessa história de dieta, dia feliz e dia do lixo e isso a estava deixando culpada, ansiosa e mais descontrolada com a comida. Ela começou a formar na sua mente algumas crenças distorcidas, como: “o que eu gosto de comer é lixo”, “se eu estou feliz comendo estou fazendo errado”, “emagrecer é igual a sofrimento”.

O comportamento alimentar

Então, Aninha foi parar numa nutricionista comportamental. Essa nutri explicou para ela que essas definições extremas não eram equilibradas e que ela podia ser sentir-se feliz todos os dias com sua alimentação. Explicou também que é normal sentir vontade de comer alimentos ditos não saudáveis às vezes, e que nenhum alimento era lixo. Falou ainda que faz parte de um comportamento alimentar saudável comer às vezes alimentos ditos não saudáveis, e que ela não precisava se culpar por isso e, muito menos, de um dia específico para isso.

Explicou que, ao estabelecer um dia para se alimentar assim, ela estaria circulando sempre nos comportamentos extremos: durante a semana a restrição alimentar da dieta, e no final de semana, um dia de exageros e descontrole, com intuito de aproveitar o momento como se fosse o último, como resultado da restrição.

Aninha deu-se por conta do quanto isso estava prejudicando a relação dela com a comida. A partir desse dia ela começou a observar melhor as suas vontades para comer quando realmente a apetecia, e não em um dia previamente definido pelo qual ela esperava com tanta ansiedade que acabava perdendo o controle da situação.

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